Um novo amanhecer

É, 2008 já esta às portas. Esse ano voou, e quase não vi passar. Tanta coisa boa aconteceu. Tantos planos realizados. Tantas amizades feitas. Foi bom demais.

Amanhã é noite de natal, e o que mais gosto no natal, é que as pessoas ficam com seus espíritos anestesiados pro mal. Todo mundo fica mais flexível, mas bondoso, mais sorridente. Acho que as pessoas deveriam conservar isso o ano inteiro.
Mais um natal. Fiz um balanço hoje do que fiz do ultimo natal até o dia de hoje. Acho que fui bem... Tentei acertar mais do que errar. Mas pequei em não conservar o ano inteiro toda a bondade e inocência que me ivadiram em 24/12/06. Daqui a pouquinho vamos entrar em um novo ano, e o que esperar dele? Esperei tata coisa para 2007... Esperei uma paz que não vi acontecer. Esperei ver mais sorrisos que lágrimas. Mas niguém pode ter tudo.

Hoje ao olhar pra trás não me arrependo do ano que passou. Ao contrário, olho pra trás e vejo que tudo o que passei contribuiu para hoje eu ser a pessoa que sou. Dias inesqueciveis, momentos, brigas, choros, sofrimentos, superação, gargalhadas, estresse, passeios... Momentos felizes são bons, mas os tristes são necessários. Para crescer. Amadurecer.

Não me arrependo de nada, todos os que passaram por mim, deixaram um pouco de si, levaramum pouco de mim. Vi a vida de uma forma mais leve, procurei apreciar as qualidades das pessoas, sem me preocupar muito com os defeitos.
Me esforcei pra matar meu orgulho e elevar minha auto-estima, por alguns momentos consegui isso e acho que me tornei alguém com quem é bom se conviver.
Procurei ajudar aqueles que sei que não simpatizam comigo, porque de certa maneira, eles são pessoas doentes da alma. Percebi que a vida é muito curta para se viver um dia duas vezes, portanto inovei.

Somos todos especiais, de um jeito ou de outro. Não acredite se alguém lhe disser que não, pois pessoas assim, são pessoas que precisam derrubar alguém, para subir e se sentirem importantes.

Dê sempre o seu melhor, seja para varrer a calçada, ou para uma entrevista numa grande empresa. Se não puder fazer tudo, faça tudo o que puder.
Não troque bons momentos por dinheiro, dinheiro acha-se em todo lugar, amor não. Não há sofrimento que não tenha solução, a cura sempre será maior do que as feridas.

Saiba esperar, seja o ônibus ou um grande amor. Paciência é uma virtude.

Vou me preocupar somente em ser amiga e não saber quem é inimigo Pois assim, eu vou conseguir apertar a mão de quem me odeia e ajudar a quem não faria o mesmo por mim. Acho que a beleza da vida é você não negar seus próprios principios por causa dos outros. Essa história de "minha educaçao depende da sua" não funciona comigo. Minha educação, meu caráter, não dependem de ninguém. Podem chamar de boba, otária até, mas sou assim. Dou sim a outra face.

Nesse novo ano, antes de desejar qualquer coisa pra mim ou para os que amo, desejo que o mundo tenha mais amor. Antes de ter paz, antes de dinheiro, antes de sucesso. Que haja amor. Que haja amor pelo próximo, que haja amor por aquele a quem você não conhece. Ao motorista do ônibus, à caixa da padaria, ao mendigo do centro da cidade. À criança que oferece uma balinha no sinal e não damos dez centavos que temos dentro do carro porque "achamos" que quem obriga a criança a pegar o dinheiro são seus pais. Que façamos a nossa parte sem esperar nada em troca. E sem querer saber pra onde aqueles trocadinhos estão indo, porque pode sim ser para algo que não seja para aquela crianaça, mas também pode ser para ela. Deus vê todas as coisas. Inclusive as intenções do nosso coração.

Que sejamos mais inocentes e menos arrogantes. Que tenhamos consciência de que ninguém é o centro do universo. E que somos tods iguais. E que a vida é um sopro, que pode acabar em um segundo.

Esse ano eu quero falar mais com Deus, e reclamar menos das coisas. Quero sonhar mais. Quero dizer mais "sim" para a vida. Quero sorrir quando o mundo me disser "não", em todos os sentidos. Quero sentir mais a beleza da vida, das coisas e das pessoas. Quero ser mais inocente.

Quero amar mais, sorrir mais, florir mais. Quero tocar os dias com paz, amor, sossego, serenidade. Quero mais chuva, mas sol, mais lágrimas de alegria, mais notícias de nascimentos, e quase nenhuma notícia de morte. Quero sentir mais saudade, e poder matar essa saudade depois. Quero amadurecer com os erros e assimilar as broncas como fatores de crescimento.

Quero ser mais flexível. Ouvir mais música, dançar mais. Ficar acordada de madruagada, ver mais o sol nascer. Mais do que vi esse ano.

2008 vai ser o meu ano. Vai ser o ano de ser diferente, de fazer diferente, de pensar diferente. E na virada do ano, enquanto as pessoas estiverem bebendo, sorrindo, e desejando feliz ano novo umas para as outras, eu vou fechar meus olhos, e pedir à Deus com muita força, vou pedir amor, muito amor. Eu quero ver tudo transbordando de amor. Porque de todos os problemas que estão sem solução nesse mundo, o amor resolve todos.

A deficiência do mundo é a falta de amor.
Um 2008 cheio de amor para nós.
Carolina Guimarães.

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Recordações Saudade

Hoje lembrei muito de minha infância. Ô época boa da nossa vida que a gente só percebe o quão maravilhosa era quando termina. É estranho porque dá uma saudade de coisas que nem sequer lembramos direito.

Quando eu era pequena só dormia na casa do meu avô. Nunca quis dormir na "minha casa", com minha mãe e minha irmã. Não sei porque mas sempre fui muito apegada com meu avô materno, até hoje. Eu adorava dormir lá, pra dizer a verdade até hoje gosto. Meus avós tem a mania de dormir com o rádio ligado, bem baixinho, mas no calor da madrugada, quando não há som algum lá fora, aquele volume mínimo se tornava uma coisa assombrosamente alta. Eles sempre ouviam, quer dizer, ouvem até hoje, uma rádio que eu nunca ouvi em lugar nenhum, só lá. Isso não quer dizer que eles compraram uma rádio pra eles, é que nunca vi por aí alguém ouvindo rádio Tupi. Talvez existam outros velhos que escutem. Não sei. Só sei que eu achava a coisa mais linda desse mundo. Tocava umas músicas tão lindas, umas melodias tão gostosas de ouvir. De uma eu lembro bem:

"A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos seus olhos eu suponho
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar"
Era na voz de Nelson Gonçalves. Eu achava a coisa mais linda de Realengo todo. E do mundo também.
- Vô?
- Oi.
- Um dia quando eu casar essa música pode tocar no meu casamento?
- Você que escolhe minha filha.
- E eu posso escolher essa?
- Pode.
- E a senhor acha que até lá eu mudo de idéia e enjoo dessa?
- Parece que acho.
Às vezes eles dois dormiam e eu continuava acordada só pra ver o que ia tocar no rádio. Tinha uma propaganda de remédio que eu nunca mais esqueci. "Se você tem dor nas costas, bico de papagaio, você precisa tomar Cloreto de Magnésio".
A voz do moço era tão linda. Eu ficava tentando imaginar a cara dele. Na minha imaginação ele era alto, dos cabelos bem lisos e pretos. E tinha covinhas (Eu amava covinhas). E devia ser atlético, nao musculoso, porque eu achava feio. E devia ter um pássaro solto no sorriso.
Eu sonhava que um dia eu ia casar com o moço da propaganda do remédio, e que ele ia cantar "A deusa da minha rua" com aquela voz linda só pra mim.
Eu dormia num colchão que ficava no chão do lado da cama dos meu avós. E amava dormir naquele colchão, ouvindo aquele rádio, com a luz do abajour iluminando meio quarto e assim não me deixando ficar com medo. Eu trocaria hoje dez camas King Size, por uma noite novamente naquele colchão. Mas uma noite naquele tempo. Eu posso dormir lá hoje. Agora se eu quiser. Tá tudo no mesmo lugar. Meu avô, minha vó, o colchão, o abajour, o rádio. Mas eu não estou no mesmo lugar. Se eu deitasse no colchão não ouviria o rádio, eu desmaiaria de cansaço. E sem dúvida procuraria dormir o mais rápido possível, porque amanhã acordo às 5h.
Eu queria uma noite com aquele sossego.
Lembro que às vezes eu e meu avô ficávamos conversando horas e horas na sala. Eu espiava o relógio e eram 3h da madrugada, mas eu não ligava. Ele me contava as histórias de como era a vida no Ceará, de como ela conheceu minha avó, de como vieram parar no Rio de Janeiro, de como ele conseguiu suportar a saudade enquanto passou 26 anos viajando pelo mundo num navio enorme, porque ele trabalhava na Petrobrás e só vinha pra casa umas três vezes por ano. Ela, minha vó, que sempre ia se encontrar com ele quando ele estava em algum porto por perto do Rio.
E a cada história meus olhos se arregalavam mais. Eu achava fascinante tudo o que ele contava. Às viagens à Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos. As coisas que aconteceram com a minha mãe quando ela era pequena...
Quando teve a minissérie Hilda Furacão ele pedia sempre pra eu ficar na sala vendo com ele porque ele não gostava de ver sozinho. Eu devia ter uns 6 anos. E como não entendia nada, sempre dormia. Ele ficava vendo com os óculos na ponta do nariz, e acompanhando o amor de Mateus e Hilda. Depois, quando acabava, e eu já estava desmaiada no sofá, ele me pegava no colo e me levava pro meu colchãozinho.
Às vezes de sem vergonha eu fingia que estava dormindo só pra ele me levar no colo. Ele me levava rindo e sempre dizia entre os dentes: "Tu não prestas hein ximbica?". É, é assim que ele me chama até hoje.
Tinha uma música que eu ficava esperando tocar e não dormia enquanto não tocasse. O nome certo nem sei, eu chamava de "Marinheiro".
"Marinheiro, marinheiro
Marinheiro de amargura
por tua conta marinheiro
vou baixar à sepultura
As ondas batiam
e na areia rolavam
Lá se foi o marinheiro
que eu tanto amava
Amor de marinheiro
É amor de meia hora
Navio levanta o ferro
Marinheiro vai-se embora"
Eu amava aquilo. Me lembrava do meu avô, porque ele passou 26 anos viajando por aí num navio. Como aquilo era gostoso. O nome do programa que tocava as músicas mais bonitas que eu já ouvi na vida é "Recordações Saudade". E o progrma existe até hoje.
A primeira noite que vim dormir na minha casa chorei até 4h da madrugada e meu avô veio me buscar quando soube que eu tava aqui chorando. Ele veio com um facão na cintura e me levou de pijama mesmo. O facão era pra se proteger de alguma coisa ruim no caminho. Ele conversou com a minha mãe depois e a convenceu a não forçar a barra pra eu dormir em casa. Quando tivesse que ser, seria e ponto. Ela aceitou e assim aconteceu. Às vezes eu peço a ela pra dormir lá no meu vô e ela não deixa. Quase nunca ela deixa. Acho que tem medo de que eu tenha uma recaída.
Talvez a culpa seja a casa do meu avô que tem um encanto que eu nunca vi na casa de vô de ninguém, só do meu.
-Vô, o que é cadáver?
- Cadáver é o mesmo que morto, que defunto.
- Um dia o senhor vai ser cadáver?
- Vou.
- Mas vô, o senhor ainda vai viver muito tempo né?
- Muito.
- Muito quanto?
- Muito duzentos anos.
- E duzentos anos é muita coisa?
- Ô, põe coisa nisso...
- E um dia o senhor pretende morrer?
- Todo mundo pretende ximbica.
- E eu posso ir junto?
- Claro que não, você ainda é muito nova.
Ai eu comecei a fazer beicinho de choro. E pra cortar o coração do meu avô e com a maior inocência do mundo eu pedi a a ele em prantos:
-Ah vô, eu sou tão boazinha pro senhor, leva eu mais você...
Seus olhos ficaram úmidos, mas ele disfarçou. Lembro bem.
Aí eu acordei pro mundo presente. Minha estação era a próxima. Olhava para aquelas pessoas no trem sem vontade de nada. Só de voltar a ter seis anos. Às vezes a vida é bem cuel, e não nos deixa voltar nem ao menos um minutinho. "Por sorte quando chegar em casa posso abraçar meu avô e ficar um pouquinho com ele, tem gente que nem isso mais pode fazer", pensei.
É, os anos se passaram vovô. Hoje já não tenho mais seis anos, mas na minha saudade tenho impressão que continuo criança. E que você a qualquer momento vai me trazer um chocolate bem quente à noite, me deitar no sofá e ficar tocando violão até eu dormir. Tocando músicas lindas, de um jeito que só você e o Nelson Gonçalves sabiam tocar.
Foi você que me ensinou a ternura da vida, meu avô querido. Um dia, te prometo que eu vou fazer o mesmo com meus filhos. E se eu não tiver tempo, vou ensinar meu pai e minha mãe, para ele fazerem, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa.
Naquele tempo, no tempo de nosso tempo, eu não sabia que os anos se passariam e hoje não teríamos mais tempo de fazer o que pra mim mais importava na vida durante minha infância: Sentar no sofá bem de noitinha e ouvir suas histórias fascinantes.
E ele sempre dizia que eu nunca ia esquecer nada daquilo, pro resto da minha vida todinha. Não sei porque ele dava tanta trela à uma pirralha de 6 anos. Mas sabem, acho que ele tinha toda razão, eu nunca vou esquecer mesmo. Hoje tenho consciência de que ele vai morrer, todo mundo morre. Naquela época doía como mil facas cortando meu peito pensar na idéia de que meu avô um dia iria morrer. Doze anod se passaram, e é impressionante. Continua doendo do mesmo jeito.
Carolina Guimarães.

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Laís.doc


Há muitos anos atrás nascia uma menina que é bem mais que especial em minha vida...
Uma menina que trouxe tristeza pra uns, mas muitas alegrias pra outros. E pode ter certeza que as alegrias que essa menina conseguiu trazer, superou toda e qualquer tristeza que pensasse em se alojar.
Essa menina ilumina tudo onde chega, e chuta pra fora tudo o que é baixo astral. Essa menina é corajosa demais, não tem medo de ousar. É daquelas que não pensa duas vezes em virar o jogo quando tá infeliz. É daquelas que não teme mudanças radicais.

Ela é daquelas que uns reprovam, outros recriminam, e todos admiram. Uns pela coragem. Outros pela garra. Outros por simplesmente ela ser ela mesmo e não ter vergonha de se mostrar pra ninguém.

Mas sabe, eu chego à conclusão de que todos a amam. É impossivel não amar. Como pode alguém conviver ao seu lado e não se apaixonar perdidamente? Comigo foi irresistível. Paixão à primeira vista mesmo. Lá quando eu tinha meus seis anos, e comecei a dar valor às amizades.

De doze anos pra cá eu descobri que nós éramos muito mais que primas. Muito mais que amigas. Muito mais que irmãs. O que somos ainda não tem nome. E sabe, acho sinceramente quie nunca vai ter. Dificil duas pessoas nesse mundo inteiro terem a sintonia que nos temos. Acho que esse tipo de ligação só acontece uma vez na vida e no mundo, e Deus escolheu nos duas pra vivermos isso.

A menina de quem eu falo é aquela que faz meus olhos se encherem de lágrimas quando lembro de seu sorriso bobo. É aquela que sempre transborda de chorar nas despedidas, fazendo com que inevitavelmente eu chore também, porque sei que o tempo que ficaremos sem nos ver será longo. É aquela que jamais diz adeus. Sempre um até mais, porque mais cedo ou mais tarde, ela junta suas coisas e aparece no Rio de surpresa...

É aquela que eu amo sem querer nada em troca. Amo porque amo mesmo. Amo de graça. Sinto sua falta em tudo. E não me perdoo por não poder passar esse dia com você. Você sabe tudo o que te desejo no dia de hoje, e em todos os outros dias.

Desejo mais felicidade pra você do que pra mim, porque as vezes tenho mesmo a sensação de que gosto mais de você do que de mim.

Quero ser pra sempre sua irmãzinha-prima-amiga e tudo mais que for sinônimo de amor sem medidas.

É assim, e sempre seja assim, que não se acabe nunca, e não mude jamais. E se mudar, que venhamos a nos acostumar com as mudanças. E se nos acostumarmos, que não caia na rotina e enterre o nosso amor.

Parabéns, e tudo de mais maravilhosos que houver nesse universo pra você.

Amiga, irmã, prima, conselheira, ombro.


Carolina Guimarães.



Obs -> 1ª foto: Eu e Laís; 2ª foto: Laís.

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Antipáticos porém Adoráveis



Tenho estado consideravelmente chateada com algumas coisas que tem acontecido. Bem, essas coisas não começaram hoje, mas sabe, agora, tem me pertubado de um jeito fora do normal.

Bom, meus pais são pastores de um igreja, como a maioria sabe. Eu não sou a pessoa que possamos dizer assim bem, a mais simpática desse mundo, mas tabém não sou nenhuma insuportável. Antes deles serem pastores, existia sim um numerozinho de pessoas que não gostavam de mim na igreja, mas depois que eles se tornaram pastores, esse número quadriplicou. E isso tem mais ou menos uns sete anos. Nunca falei sore isso aqui porque nunca me chateei tanto. Mas quado você passa e vê 15 cabeças falando do sapato que você tá, do perfume, da maquiagem, se riu, se deu tchau, se não falou, pô na boa, isso irrita. Tirando os que falam mal mesmo, na carona de pau.

Domingo foi a gota d´água. Quado eu passo por alguém na igreja, sendo uma pessoa que eu não coheço, e este alguém vira a cara ou faz uma cara feia, já imagino que devem ter falado alguma coisa de mim, e raramete ligo, até porque meu pai disse que seria assim mesmo. E na verdade eu tô bem acostumada com isso, sempre foi assim. Mas domingo, fui falar normalmente, com uma menina que sempre falo, e ela virou a cara pra mim simplesmente porque estava no meio de pessoas que me detestam. E ai eu me perguto, o que eu fiz pra essas pessoas? Algumas delas ali eu em sei o nome! Eu nem as conheço. Cheguei em casa bem chateada e fui conversar com meus pais, afinal, eles me meteram nessa, rs.

Meu pai disse que é admiração. Mas que forma estraha de admirar hein? Segudo ele, a inveja é o mais alto estágio da admiração profunda.

Minha mãe disse que isso é normal, que até lá em Goiânia (lá ém a sede dá miha igreja e tem mais de 18 mil membros), as filhas do pastor de lá são odiadas. Mas meu Deus, por que isso? Eu não entendo. Sabe, eu me esforço pra ser legal com todo mundo, claro eu tenho minhas chatices, mas todo mundo tem sua mania.

E porque ter inveja? Eu sou uma pessoa absolutamente normal, meus pais, apesar de pastores, são normais. Minha mãe briga quando eu não como direito, meu pai me levanta pra escovar os dentes. Eu faço xixi também sabe. Às vezes eu tenho preguiça. Ah! eu acordo feia. Sim, eu não acordo linda como as pessoas na igreja devem imaginar. Eu não estou sempre de maquiagem e com cara de miss. Eu sou um ser humano normal. E mais, eu tenho sentimentos. Sentimentos esses que são covardemente abalados cada vez que acontece uma coisa dessas. Como a menina que me ignorou. Gosto dela, por isso fiquei chateada. Achei uma atitude bem feia se vender por causa de meia dúzia de "amigos". Minha mãe disse que me tratam mal porque queriam estar no meu lugar. Meu Deus, meu pai tá aí ó. Não tenho ciúme dele, juro. Empresto ele pra quem quiser chamá-lo de pai um pouquinho. Me perturba saber que as pessoas pensam que eu me arrumo pra chamar a atenção. Que eu me visto de determinado jeito pra humilhar e pisar nas pessoas, quando na verdade é porque gosto e me sinto bem. É meu estilo, e ponto. Às vezes tenho medo do que as pessoas podem pensar, achar, julgar. Isso me consome.

Conversando com minha mãe, ela me disse que eu não tenho que deixar de ser eu mesma pra agradar as pessoas. Mas ultimamente tenho feito isso. Tenho faldo demais, tenho rido demais, tenho sido gentil. Quem está se divertindo é uma Carolina que eu detesto, uma Carolina que não sou eu. Uma qualquer uma.

Acho que isso não é um privilégio meu, mas qualquer pessoa, sente-se mal onde sabe que não é bem-vinda. Mas é ai que surge a questão, quem disse que não sou bem-vinda? É pra ser metida? Serei. Meu pai é o pastor, falem mal ou bem, sou bem-vinda sim. O mais engraçado é que a maioria das pessoas que me-odeiam-sem-me-conhecer, depois que me conhecem sempre falam: "Nossa, mas antes de te conhecer eu te achava tão arrogante!", e eu sou obrigada lógico a responder: "Mas eu sou. rs"

Meu pai me deu um conselho ontem a noite, eu eu vou seguí-lo à risca. Ele disse que poucos tem esse privilégio. De sair e entrar em todas as salas da igreja a hora que eu quiser (Inclusive o gabinete dele), saber antes de todo mundo a programação das igrejas, os livros que serão lançados, as festas que acontecerão. Frequentar lugares que todos gostariam de ir mas não podem, porque só quem tá "lá dentro", pode. No fundo sei que ele quis dizer o seguinte:

"Seja você agradando os outros ou não, mas se preocupando, porque você é a filha do pastor, e como tal, tem que ser um grande exemplo. E aproveite o lugar que você ocupa, e a posição que você está, porque como você pode ver minha filha, não é pra qualquer um".

Meu pai é fantástico. Conseguiu reverter a situação completamente. Eu que estava achando um pesadelo ser filha de pastor, agora estava achando o máximo. Fui dormir como se só eu tivesse ganhado em um sorteio um jogo super disputado. Quer dizer, eu e minha irmã, rs. Fui dormir leve, suspensa no ar. "Só eu sou", porque Deus quis assim. Então, ao invés de ficar me lamentando e me perguntando porque aquelas milhares de pessoas me odeiam, me perguntando "será que eu colei chiclete na cruz?" Eu decidi aproveitar os benefícios que isso me traz. Sei que tenho que ser o exemplo, que não posso usar qualquer roupa, que tenho que sorrir pras pessoas, e ser o mais educada possível, uma lady. Mas com isso vem também passeios, e reconhecimentos maravilhosos. E essa sou eu. O povo gostando ou não. Que virem a cara, que olhem torto, que nem olhem, ou ignorem. Não estou mais tentando agradar ninguém. Estou tentando ser eu. Mas sendo também sorridente, e bem educadinha, senão, quando a gente chega da igreja em casa, minha mãe torce minhas orelhas, rs.

"Às vezes eu tento ser modesta, mas ai... começam a me faltar argumentos".

Meu beijo,
Carolina.

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Ê laiá...

Essa semana foi punk. "Quase" perdi o celular, meus pais viajaram e senti uma falta doída deles, achei que ia ser demitida, e pra completar, TPM.
Engraçado que quando não estamos esperando, coisas boas acontecem e quando estamos, raramente acontecem e nós frustramos.
Essa semana eu esqueci no trem um livro que é uns R$80,00. Pegava na biblioteca justamente porque não queria comprar e agora ia ter que pagar um pra eles. E eu queria alguém pra conversar e minha mãe estava viajando. Fiquei péssima. Cheguei na faculdade na terça super péssima. Fiquei conversando com um amigo e contando tudo o que estava "assolando" meus dias, ele disse uma coisa que eu acho que não vou mais esquecer. "Quem sofre por antecipação, sofre duas vezes". ele me disse exatamente assim:
- Pô Carol, mesmo se acontecer isso tudo o que você tá achando, deixa pra sofrer na hora que acontecer. Sofrer agora resolve o problema? Então cara...

Aí eu resolvi deixar de ficar mal. Resultado: no dia seguinte quando estava saindo do trem na estação de São Cristóvão um velinho me chamou e perguntou se eu tinha esquecido algum livro no trem. Eu disse que sim na esperança de ele dizer que viu o livro ou sei lá, viu alguém que o pegou. Ai ele falou que me viu esquecendo e guardou pra me dar no dia seguinte. Depois quando cheguei no trabalho vi que na verdade, ninguém tinha roubado meu celular, e sim que eu tinha esquecido lá. E não fui demitida também. Sofri à toa. Só uma coisa eu sofri com razão. a ausência da minha mãe. Graças à Deus ontem à noite eles chegaram. Eu tava mmorrendo de saudades. Tem muitos jovens que pedem a Deus para seus pais viajarem um final de semana, porque isso mal ou bem acaba proporcionando uma certa "liberdade", mas meus pais passaram uma semana fora e eu não gostei não. Senti falta.

Bem, tô sem inspiração, tinha mais algumas coisas pra contar mas esqueci. Fiquei chateada ontem porque acho que meu pai perdeu as fotos do meu noivado. Ontem fiquei caçando no notebook dele e não achei. Hoje vô procurar no notebook da minha mãe. Pode ser que ainda estejam na máquina. Se eu tiver sorte, estarão. Vamos ver né?!

Ah! Estou devorando um livro muito bom. Chama: "O dia do curinga". É a continuação, ou baseado sei lá, no livro "O mundo de sofia". Ainda estou no meio mas, quando terminar comento alguma coisa por aqui.
Vou indo que tenho 10 unhas pra fazer, rs.
Meu beijo,
Carollll

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Fica proibido


“Fica proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das tuas recordações
Fica proibido não sorrir ante os problemas,
Não lutar pelo que queres,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar em realidade teus sonhos
Fica proibido não demonstrar o teu amor,
Fazer com que alguém pague pelas tuas dúvidas e pelo teu mau humor
Fica proibido deixar os teus amigos,
Não tentar compreender aquilo que viveram juntos,
Chamá-los somente quando precisa deles
Fica proibido não seres tu perante todos,
Fingir para as pessoas que não te importas,
Esquecer todos os que te querem
Fica proibido não fazeres as coisas para ti mesmo,
Não fazeres o teu destino,
Ter medo da vida e dos teus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse o último.
Pablo Neruda.

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Carolina por Carolina

Eu amo Fanta Laranja. Tomo qualquer outro refrigerante, mas Fanta laranja, particularmete, me encanta. Eu não bebo Coca-Cola porque eu não gosto. Eu gosto muito de ver The OC, e adorava o extinto Os Normais.

Não gosto muito de esperar. Na verdade não tenho paciência. É um paradoxo que chega a ser engraçado porque pra certas coisas eu sou muito paciente, já pra outras, sou tolerância zero.

Gosto de olhar no fundo dos olhos das pessoas. Algumas pessoas não gostam disso porque se sentem constrangidas, mas não me importo, eu olho assim mesmo. Eu sinto que quando olho lá no fundo dos olhos das pessoas eu posso sentir aquela pessoa, e por uns segundos eu viajo imaginando somente pelo olhar se aquela pessoa é verdadeira, é tímida, é turrona, brincalhona... Mas às vezes, quando encontro alguém que gosta mais de olhar nos olhos que eu, não consigo olhar e covardemente desvio o olhar. Não faço isso sem motivo, é simplesmente porque sou verdadeira, e esse é meu jeito de mostrar isso.
Se eu não gostar de vocÊ por algum motivo, pode ter certeza que você vai saber só pelo olhar. E se eu gostar, o olhar também vai dizer.

Apesar de verdadeira tenho medo de magoar as pessoas. Me coloco muito no lugar dos outros. Não faço com ninguém o que não gostaria que fizessem comigo. E às vezes, quando inevitavelmente faço, me sinto culpada e fico pensando no quanto aquela pessoa pode estar sofrendo.

Eu detesto bolsa pequena, e não consigo ficar de joelhos.

Ah, também não sei ficar sem falar. Não sei como tem certas pessoas ainda não enjoaram de mim. Meu pai sempre fala: "Nossa, como essa menina fala". É que eu tenho sempre muito assunto. Tudo pra mim é novidade, ou um acontecimento especial. Desde um encontro casual com alguém que não vejo há muito tempo, ou uma joaninha aparecer na minha blusa.

Gosto de gente. De pessoas. De estar cercada. Talvez por isso meu amor tão grande por andar de trem. O trem pra mim é um laboratório. É gente de tudo quanto é tipo, tudo quanto é cor, tudo quanto é jeito. De patricinhas à camelôs. Eu me apaixono pelas pessoas todos os dias. (Apaixono não no sentido literal da palavra, mas no sentido de admirar).

Eu me apaixono o tempo todo. Esses dias mesmo me apaixonei no trem por uma senhora de cabelos bem branquinhos que contava sua história no trem pra uma outra senhora. Eu de enxerida, ouvia a história. Meus olhos se enchiam de lágrimas toda hora. Parecia que eu tava vendo um filme. Eu nunca mais vou tornar a vê-la. Eu nem sei seu nome.

Anteontem eu tive pena de mim mesma. Não sei porque mas às vezes me dá isso. Eu queria saber se com as outras pessoas também é assim, mas tenho receio de perguntar. Vai que é só eu que tenho pena de mim. Vão me chamar de louca.

Eu tenho medo de fazer amizades porque me apego muito às pessoas. Tenho medo de me frustrar.
Eu tenho uma inteligência incrivel, porém não explorada por conta da minha preguiça indesculpável.

Eu não sei a diferença entre Bife à Milanesa e Bife à Parmegiana. Só sei que minha mãe faz e fica uma coisa assombrosamente deliciosa. Eu amo bala de canela de paixão. Quase ninguém gosta. E isso acaba sendo bom porque daí ninguém pede bala e sobra mais pra mim.

Às vezes as pessoas fazem com que eu me sinta ridícula. Eu chego até a me sentir assim realmente. Mas ai eu percebo que não, que eu sou muito superior a eles. Eu decobri que a inveja é o mais alto estágio da admiração profunda. Eu sou sim o último refrigerante do deserto. Eu sou sim o ultimo Trakinas do pacote. E não deixo mais ninguém me convencer do contrário.

Eu sou louca por cinema. Completamente maluca. Doidona mesmo. Meu filme preferido é "Diário de Uma Paixão". Não há nada que me dê mais prazer do que eu indicar esse filme e a pessoa passar a amá-lo como eu amo. E consequentemente não há nada que me frustre mais do que alguém vê-lo e tratar como se fosse um filme qualquer.
"Diário de uma paixão" é meu preferido sem a menor dúvida. Eu me identifico com o filme, parece que tô dentro da história. Eu posso vê-lo 427 vezes que não enjoo. E choro todas vezes. É espetacular.Mas o meu xodó é "Dirty Dancing - Ritmo Quente". A única pessoa que consegui fazer amar esses dois filmes como eu até hoje, foi minha mãe. Os demais acho que fingiram que gostaram pra me agradar.
Eu detesto filmes violentos, mas gostei de "Tropa de Elite". Os filmes que eu mais odeio são "Tempo de Violência", do Kent Tarantino, "Piratas do Caribe", toda a trilogia, e "Jogos Mortais", todos os quatro que já saíram. Eu amo comédias românticas. Gosto muito de filminhos água com açucar.

Qualquer pessoa que me der um miojo consegue me comprar. Se for de tomate então... É a pior torutra que existe, me dar um miojo e não me deixar comer, e minha mãe sempre faz isso. Acho que eu conto tudo. Na época da ditadura, se eu fosse torturada, nem precisariam encostar em mim. Com um miojo eles conseguiriam toda a informação que quisessem.

É necessário muito esforço pra me deixar chateada. É uma árdua tarefa. Apesar de que, tem pessoas com as quais eu já tenho uma chateação acumulada, então, qualquer coisa é motivo pra explodir.

Acredito em destino. Como pode alguém viver sem acreditar que existem coisas que já são destinadas à você? Acho sim que existem coisas que já são pré-determinadas à virem às minhas mãos, sem que eu precise fazer muito esforço.

Não acredito em sorte. Uma pessoa faz sua própria sorte. Também não acredito em signo. Acho que astrologia é como um jogo de baralho. Alguém que não tinha o que fazer inventou pra se divertir. Também não gosto de baralho. Acho chato.

Antigamente só gostava de suco de abacaxi e laranja. Mas depois que andei de avião, gostei do de manga também. Engraçado, que agora em todo lugar que eu vou só peço de manga. Fui descobrir que gosto ao 18 anos.

Todo dia descubro alguma coisa. Às vezes descubro em mim mesma, e fico rindo sozinha, como uma doida. Esses dias descobri que o Colégio Militar não é nada do que eu pensava. Eu achava que era igualzinho um quartel. Mas descobri que até lá os jovens são normais. Eles zoam, namoram, riem, brincam, alguns não estudam, e até repetem. Pra mim, quem repetia lá tinha que sair.

Mas ainda tenho muito o que descobrir.

Admiro a Bruna surfistinha pela sua garra e coragem, mas em minha opinião ela está longe de ser uma heroína. Leio o blog dela direto, e já até trocamos alguns emails. A admiro pelo que é, não pelo que fez.

Não gosto da Xuxa. Depois que soube de algumas dela, acabei perdendo a simpatia. Paciência...

Tenho um defeito horrível. Eu elimino as pessoas. Eu posso ser amiga de alguém, que se me der na telha que não quero mais, ou enjoar dessa pessoa, eu simplesmente, deixo de reparar, vou falando cada vez menos, até ela ser completamente eliminada. Não faço de propósito, é involuntário. Quando me dou conta, já nem falo mais com aquela pessoa. Sei que isso feio, mas ainda não consegui melhorar isso em mim.

Às vezes eu acordo amando ser eu mesma. Às vezes acordo de mau humor e tenho vontade de fuzilar o vagão inteiro. Às vezes tenho vontade de ir no cinema sozinha, e às vezes tenho uma vontade louca de sair pra jantar à dois.

Amo cebola, alho, pimenta, e afins. Eu odeio azeitona, palmito, milho, champion e queijo ralado. Amo a pizza da parmê e os sanduíches da Subway. Adoro ver um dvdzinho no quarto dos meus pais. Amo o inverno. Amo verde.

Não sei viver sem telefone.

Me apego muito as coisas e as pessoas. Não gosto de me desfazer dos meus pertences, e quando não tenho escolha, me desfaço comum certo pesar. Odeio perder pessoas. Quando digo perder, não estou falando de morte. Perder o contato é pior que morrer. Perder a amizade por causa da distância, perder o contato porque acabou o ano. São telefonemas cada vez mais raros, conversas cada vez mais espaçadas, amor cada vez menos dado. É horrível quando isso acontece. E sempre teima em acontecer comigo. Mas não há o que fazer, não tenho como evitar, porque não depende só de mim.

Tenhos muitos sonhos, e sei que a maioria deles irei realizar. Meu maior sonho é ser mãe. Claro, que daqui a muito tempo. Mas quando tiver, quero ter quatro. Mas quero ter quatro filhos e ter tempo e dinheiro para cuidar deles, senão, não vale de nada.

Ainda quero conquistar muita coisa nessa vida, mas às vezes, tenho essa sensação, que estou tendo agora, de que Deus já me deu tudo o que eu preciso pra viver e ser feliz, e que não me falta mais nada.

Meu beijo,
Carollll

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Caminhando e cantando, e seguindo a canção...

Está de tarde, meu horário mais fértil. Ao meu redor todas "trabalham em silêncio" e sou tomada por uma certa liberdade. Essa fertilidade não se traduz necessariamente em qualidade literária, vou logo avisando. Posso ser, nessas tardes, muito genial ou imbecil. Torço sempre por uma graduação intermediária.

Bom, demorei pra conseguir enfrentar a "Página Em Branco" pra escrever este post. Estava há muito tempo sem postar, meu cérebro engessou.

Gosto de escrever à mão, mas agora tenho que traduzir pro super hiper teclado que me liga à grande nave mãe chamada internet.
Na verdade são muitas as minhas dificuldades (que talvez não interessem a ninguém, pois afinal, opinião pessoal e lamúrias são dispensáveis, mas enfim...)


Não sei pra que serve um Blog. Meu racional entende, mas meu emocional, que é o que alavanca minha construção de idéias, ainda não. Mas amo ter esse espaço.

Tenho tido como condição indispensável pras minhas escritas, um interlocutor, um objeto com quem me comunico. Por exemplo, sou ótima escritora de cartas de amor ( e consequentemente, receptora também).

Tenho por hábito escrever desde que aprendi, lá na infância. Sempre me fascinou, por isso mesmo quando surgiu a idéia de começar um blog, fiquei “em chamas”, achando que seria perfeito pras minhas modestas aspirações. Fiquei surpresa com minha hesitação. O fato de não saber pra quem escrevo me assustou, mas agora está me sendo um estímulo.

Tenho minha “Caixinha de Pandora”, nela guardo coisas que escrevi desde sempre. As mais importantes estão lá. Tem de tudo, sentimentos sinceros, pensamentos (às vezes) cristalinos, momentos preciosos, delícias. Se for me sentindo segura, vou “botar na roda”.

Bem, não era assim que imaginava “abrir este post”, me jogar novamente no Mundão. Sim, a internet é o Mundão. Pra bem ou pra mal, se está lá: É!
Queria apenas aparecer aqui, quem sabe criar um vinculo na rede e ver como volta. Com total curiosidade, aliás ingrediente primordial da minha personalidade. Se for dizer algo de mim, direi que sou curiosa, sempre fui.

Aí, viu? Já estou aparecendo...

Sou estudante e filha, e tudo que isto implica, que é muito assunto pra uma primeira apresentação. Tudo em mim é complexo. Minha cabeça nunca pára de pensar, sou complexa, muito embora, não viva sem um banho de mar. Então acho que sou complexa mas também não sou, pois não existe nada mais libertadoramente simples do que um banho de mar.

Mudei de colégio poucas vezes durante minha vida acadêmica. Sempre gostei de novos desafios, ambientes, horizontes, amizades, gente.
Gosto muito de gente e das suas idiossincrasias.

Como sou ultra curiosa com a vida, sou com gente. Por isso devo ser tão doida pelos filmes do John Cassavettes, pois ele trata de gente, do amor e da falta de amor dessa gente que ele retrata.

Tenho apostado muito que as coisas simples da vida é que nos trazem felicidade, e tenho uma fé incrível.
Beiro sempre a Polyana, aquela, a do livro.
Tenho um cão, Tico (Pinscher), que está com 4 anos ( já!) e o simples pensamento que daqui há bem pouco tempo ele se irá desta pra uma melhor, acaba comigo, não resisto e choro copiosamente.

Sou música total no coração. Admiro músicos. Até trilha sonora minha vida tem, e o tema principal da "minha" personagem é Heaven, cantada por Dj Sammy e Yanou.

Amo chocolate branco. Tomo refrigerante só se for fanta laranja, troco uma refeição por um doce sorrindo. Sou, segundo meus amigos, "fresca". No entanto, acho que sou um péssimo e ótimo exemplo de "caos controlado". Achei um equlíbrio saudável na minha bagunça.

Me chafurdo até não poder mais sempre, superando limites e abrindo novas demandas sempre com a Mônica e o Cebolinha, há mais de uma década.

Progressos e superações me emocionam. Viver é se superar, quando essa possibilidade cessa, acho que a vida deve ficar bem sem graça.


Choro em vitória do Brasil no Pan, nas Olimpíadas e, em qualquer competição quase. Só no futebol, que não mais. Acho que futebol virou empresa, quase deixou de ser esporte. Há algo fedido no seu mundo milionário.

Agora, estou impregnada de Clarice Lispector. Um sonho realizado mas ainda não totalmente “gasto”. Ainda não gastei Clarice toda, quero vida longa pra mim nela. Acabei deixando um pouco Mr. Carlos Drummond de lado.

Não tenho Voip e Second Life, nem sei direito o que vem a ser. Mas tenho amigos maravilhosos que cuido há anos e que estão bombando loucamente em minha vida. Isso, por si só me dá uma felicidade...

Meu corpo tem me pedido pra malhar. A atleta que nunca virei está meio revoltada com a sedentária que sempre fui.

Acho que me mostrei um pouco nas entrelinhas. Quem sabe acho um ou outro do outro lado do monitor? Se achar, podemos falar da minha paixão por cinema, pela Clarice, por pessoas, por chocolate branco, por desafios, pela curiosidade na vida, pela maternidade, copos-de-leite. Tem um mundo de coisas esperando pra serem tocadas nas linhas desse blog.
Vou tentando achar o meu tom, o meu povo. Informo que toda ajuda será bem recebida, e na verdade é exatamente isso o que quero, portanto fiquem à vontade.

Pra terminar, pois não posso deixar passar:
Tô muito irritada com esse Brasil da Esculhambação que vivemos hoje. Quero fazer campanhas contra tudo de bosta que temos aí. Desde o motorista imbecil que não para nos pontos pros idosos, até o voto secreto naquele podre poder lá de Brasília.

Da minha Caixinha de Pandora:
Tinha 13 anos e tinha esperanças de um Brasil melhor.

"Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantado
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Pelos campos a fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados

Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer..."

Geraldo Vandré - "Pra não dizer que não falei de flores"

Meu Beijo,
Carolina Guimarães.




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Agora é oficial!

É o sonho de qualquer mulher. Até mesmo daquelas que dizem que não. No fundo eu sei que até essas sonham com isso. Talvez nós sejamos influenciadas pelos desenhos animados que vemos quando crianças, os quais aparecem princesas com cabelos impecáveis e vestidos maravilhosos (e olha que no desenho não existe Valentino, muito menos D&G).
Talvez porque também nesses desenhos todas as princesas terminam "felizes para sempre", e esse "felizes para sempre" dos desenhos, só se completa ao lado de um príncipe.
Ou talvez, e acho que é essa realemnte a explicação mais lógica, nascemos com esse instinto, essa forte tendência ao romantismo. Com exceções é claro.

Isso não quer dizer que não existam homens romanticos, nem que não existam mulheres sem uma gota de romantismo, mas no geral, somos nós que costumamos chorar vendo qualquer filme, inclusive Bamby (experiência própria).
Mas o fato é que, todas sonham em casar. Umas na praia, umas em sítios, umas de manhã bem cedo com as convidadas todas chiquerésimas com seus chapéis, outras à noite, para poder usufruir de brilhos e todo glamour que um casamento à noite pode proporcionar (esse é meu caso).

Calma, não vim aqui anunciar meu casamento. Não ainda. Sábado, trocarei essa aliança que foi amorosamente colocada em minha mão direita por uma de ouro. Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando. O que era teoria agora vai ser prática.

O que muda quando você é noiva? Bem, depende da mulher. E do homem também. Tem aquelas que colocam a aliança no dedo e se casam depois de 14 anos. Pra essas, o noivado não muda nada, o que muda as coisas e faz o casamento acontecer é o tempo. E tem aquelas que após trocarem alianças começam uma correria louca e gostosa, os preparativos. Pra essas o noivado muda tudo. Em um minuto você era solteira, a garotinha do papai (e do vovô também no meu caso), e dali a pouco tempo passará a ser mãe de família (mesmo que os filhos ainda demorem uns anos a chegar).

Móveis, convite, lista revisada mais de 10 vezes, buffet, decoração, filmagem, Dj, salão, igreja, vestido (!), lembrancinhas, trilha sonora, lua-de-mel. Ufa! Deve ser bom demais correr atrás de provindeciar algo que você sonha há muito tempo. Deve ser não, é!
Algumas pessoas (jovens no geral), imaginam que casar é uma maravilha porque a partir de ter sido colocada a tal alinaça dourada na mão esquerda você tem passe livre para transar a hora que quiser, do jeito que quiser, aonde quiser. Mas eu acho sinceramente que casamento não é isso. Não posso dar certeza porque nunca me casei, mas acho que às vezes os "casados" devem trocar fazer sexo por ver um bom DVD agarradinhos debaixo do edredom num dia bem frio. Acho que na prática não é bem como os "jovens" imaginam. Como se eu não fosse jovem né? Mas é que não penso assim.

Casamento tem conta pra pagar, tem casa pra arrumar, tem comida pra fazer, tem goteira pra consertar, tem compras do mês e fila grande no mercado.
Me peguei imaginando o seguinte: Sabe aquela roupa que você acha que fica irresistível no seu amor? Pois é, depois que se casa você vai ver aquela roupa irresistível toda suja lá no fundo do cesto. E mais, você vai ter que lavar. Parece que perde o encanto não? E tem mais, de acordo com uma pesquisa do IBGE, os homens depois que se casam ajudam cada vez menos nas tarefas domésticas. As mulheres fazem 80% e os homens somente os 20% que sobram. Injusto não?

Calma, não to incentivando ninguém a não se casar. Mesmo com todos os pontos negativos, quero me casar. Acho que nada paga acordar todos os dias ao lado da pessoa que você ama, da pessoa que você escolheu passar o resto da vida. Sim, porque pra mim casamento é pra sempre. Não tem essa de casou e não deu certo separa. Acredito sinceramente que Deus separou uma pessoa pra cada ser que ele criou, e Deus não é maluco, ele não separaria 3 homens diferentes pra você casar durante a sua vida. Pronto, já descobriram porque não gosto da Gretchen.
Acho que nada paga acordar num domingo ensolarado e levar os filhotes pra passear. (Ainda que isso demore um pouco).


Quero cuidar do jantar, das nossas roupas, da MINHA casa. Sei que problemas virão, apesar de que eu e Rê nunca tivemos problemas. Pode acreditar, a gente nunca brigou. Mas não alimento a ilusão de que tudo será um mar-de-rosas. Até porque, casamento é bem diferente de noivado ou namoro. A diferença é que, quando os problemas vierem, nos saberemos resolvê-los. Eu não vo querer me separar dele só porque eu durmo sem ventilador ligado e ele só sabe dormir com ventilador ligado. E também não pretendo fazer como essas pessoas que dizem: "Não foi com essa mulher que eu me casei!". Foi com qual então? Acho isso ridículo porque ninguém obrigou a pessoa a casar, casou porque quis, agora não reclama. Levou pra casa consciente do que tava levando. O tempo muda as pessoas e as pessoas mudam com o tempo. E todo casal deveria entender isso. O que é necessário é que o amor seja maior que o tempo e que as mudanças. E é necessário também aprender a adaptar-se.

Bem, mas deixemos casamento pra depois porque ainda não é desse momento que estou desfrutando. Estou em um degrau abaixo. rs

Vou ter que me acostumar a usar uma coisa de ouro, porque não sou muito acostumada. Não pelo fato de ter poucas coisas de ouro, é por não gostar mesmo. Na verdade não é nem por não gostar, é porque eu gosto muito de prata, ouro branco e tal, e imagina eu toda de prata, com um anel de ouro? Não combina neh? Mas sem problema, vô usar mesmo assim!

Falar nisso, a aliança já ta comprada, e é linda! Vô colocar fotos aqui depois de sábado podem ficar tranquilos. rs
Bem, então é isso... Tô na promessa ainda de fazer o post sobre como vim parar aqui no trabalho, mas como sei que vai ser longo tô com preguicinha, rs. Mas prometo que no findi eu faço!
Desejo a todos um bom feriadão e um ótimo findi, porque eu sei que o meu vai ser esplêndido!

Aqui não é a Globo não, mas... "A gente se vê por aqui"!

Meu beijo,
Carollll

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Se o amanhã não vier

Às vezes paro e penso que a nossa vida é só o hoje. Temos a louca mania de achar que amanhã faremos tal coisa, amanhã veremos o tal filme, amanhã diremos que gostamos de determinada pessoa, amanhã faremos tudo o que adiamos da nossa vida do dia que mais nos passa certeza de qualquer coisa: O hoje.

O terreno do amanhã é incerto demais para os planos.

Ontem antes de dormir deitei na cama e fiquei analisando a minha vida. Renan tinha acabado de ir embora e fiquei pensando que aquela poderia ser a ultima vez que nos vimos.
E se ele sofresse um acidente no caminho pra casa? E se hoje ao acordar o trem que eu estivesse batesse e eu morresse?
Fizemos tantos planos para o dia de hoje, mas e se não tivermos a oportunidade de concretizá-los? Ontem aprendi uma coisa: Não podemos contar com o amanhã.

Talvez, a gente fique esperando a vida inteira para dizer aquela palavra que não dissemos porque achamos que teriamos outra oportunidade. Economizamos vida simplesmente porque deixamos para amanhã.

Comecei a pensar e não consegui não chorar. Desejei que o Renan voltasse correndo porque eu tinha umas coisas muito urgentes para falar pra ele, mas sabia que era necessário sua partida pois ele mora bem longe.

Se eu soubesse que ontem seria a ultima vez que eu o veria, eu gostaria de dizer para ele que ele é o melhor homem que eu já conheci, e que eu não mereço tanto. Se eu soubesse que ontem seria a ultima vez que nos veriamos eu pediria para ele sorrir e tiraria uma foto do seu sorriso. Eu gastaria muito tempo sentindo seu cheiro e acariciando suas mãos. Eu o abraçaria forte como se minha própria vida dependesse disso. Eu falaria "Eu te amo" milhões de vezes ao invés de admitir que ele já sabe disso. Eu brincaria com ele, eu riria muito, faria cosquinha, cantaria a nossa música bem alto, dançaria com ele onde quer que estivéssemos, num shopping ou na praça, havendo música ou não.
Por fim, eu deitaria com ele em algum lugar de grama bem verdinha e passaria a noite inteira ali olhando para o céu, vendo as estrelas, e aproveitando sua presença ao máximo. Eu jamais me despediria. Não gosto de despedidas. Eu mostraria o quanto ele é importante para minha vida, o quanto eu o amo, por mais clichê que parecesse.

Felizmente Deus me deu uma nova oportunidade hoje às 5h da manhã de fazer isso tudo. Hoje é o tempo presente, a vida presente. Estamos vivos e somente disso temos certeza.
São 11h da manhã, eu estou no trabalho, e estou contando os minutos para vê-lo. Vou abraçá-lo, fazer carinho nas suas mãos, cantar nossa música bem alto, dizer eu te amo até ele se cansar de ouvir, e ainda que ele se negue vamos dançar sim, no meio da rua, na varanda de casa, ou na sala. Na verdade, o lugar é o que menos importa.

Vou aproveitá-lo até o ultimo minuto. E se o amanhã não vier, eu terei desfrutado da melhor maneira que pude do hoje.

Todos os dias Deus nos reserva algo. Mas vai chegar o dia que o que nos estará reservado é simplesmente o fim de todas essas reservas diárias. O fim dos nossos dias.

Hoje quando sentei na estação enquanto esperava o trem pensava nisso. Pensei na noite anterior a qual dormi chorando por tantos dias desperdiçados, por tanto amor não dado que embrulhei e guardei num armário velho. É ai que está o desperdício da vida. No amor que não damos. Na prudência idiota que tem medo de arriscar.

O trem chegou. Fiquei olhando para aquelas pessoas dentro do trem como se fosse a ultima vez que as visse. Muitas delas pegam o trem comigo todos os dias. Todos os dias.
E se o rapaz que está a caminho do Colégio Militar não conseguir chegar lá? E se for o ultimo dia da menina ruivinha que trabalha na joalheria? E se aquele grupo de meninas e meninos que vem juntos todos os dias rindo e brincando nunca mais tiver a chance de se encontrar? Não sei... é desperdício demais levar uma vida monótona. Ninguém é capaz de um viver um momento duas vezes. Precisamos aproveitar o máximo que pudermos.

"Hoje vou viver como se fosse meu último dia", pensei ao olhar todas aquelas pernas dentro do trem. Vou almoçar como se fosse meu ultimo almoço, vou abraçar meu avô bem forte assim que chegar em casa, vou dizer à minha irmã que por mais que briguemos eu a amo muito, mais do que ela imagina. Vou trabalhar como se fosse meu ultimo dia aqui. E quando eu encontrar o Renan... bem, talvez eu não consiga falar nada.

E se o amanhã realmente não vier eu guardarei comigo o sorriso das pessoas que amo, as aventuras, o amor, a amizade sincera, os riscos corridos, a vida enfim. E se o amanhã não vier para mim, tenho certeza que as pessoas lembrarão do meu sorriso feliz, da minha espontaneidade, do amor que dei sem medidas, do quanto me entreguei às amizades, do quanto vivi tudo em sua totalidade, do quanto não me chateei com coisas bobas, o quanto eliminei o que era ruim e guardei o que era bom.

E quando eu morrer, seja amanhã ou daqui a 50 anos, quero que tenha a seguinte escrita em minha lápide:

"Não lamentem pois aqui jaz alguém que tomou banho de chuva, viu o sol se por, sorriu a maior parte do tempo, descomplicou as coisas, morreu de amor, se deu às amizades, fez o que queria fazer, aceitou as pessoas como elas são, viveu a vida em sua totalidade não temendo riscos ou sofrimento".
Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu.

E você, o que faria se soubesse que só te resta um dia, o hoje? Pois então, te aconselho a ir lá e fazer tudo o que pensou, pois hoje pode ser realmente seu último.
E se o amanhã não vier?

Carolina Guimarães

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Ê laiá!

Ufa! Enfim um tempinho pra eu passar por aqui. Já tava com saudade!
Bem, tô meio sem tempo porque comecei a trabalhar essa semana... Dá licença hein?! rs
Então, como ia diuzendo, acordo às 5h damanhã, pego no trampo às 8h, saio às 17h, e depois vô diretão pra facul saindo de lá às 21:30. Ou seja, sem tempo pra nada. Mas sabe, que correria ótima essa!
Lá no trabalho é dez! As meninas super legais, e o clima é ótimo. Tô amando! rs

Bem, tá tudo indo na mais perfeita, só passei rapidinho mesmo pra att, porque tava chei ade saudade do meu bloguito. Nem passa pela minha cabeça abandoná-lo só porque agora tô "meio sem tempo".

Danni, "o segredo" agora não é mais segredo! e não pensa que eu esquecio não hein, queria saber se final de semana que vem (dia 27/10), você tá ocupada... Queria ir ver vocês! Tô com muita saudades de conversar ctgo menina...
"Danni-se a hora se é cedo se é tarde, Danni-se a capa, a foto, o encarte, Danni-se Figo, Ronaldo, Zidane, Danni-se tudo que não tiver Danni!"

Deixo aqui minhas beijocas pro meu amorzão que eu amo demais pra caramba! Você alegra meus dias e torna tudo mais leve. Pra sempre meu príncipe...

"Meu coração a bater, parece estar-me a lembrar, que se um dia te esquecer, será por ele parar".
Tô sem tempo pra nada ser feliz me consome!

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É ridiculo, mas é engraçado!

Estas são passagens retiradas do livro "Desordem no Tribunal". São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos, que ainda tinham de permanecer calmos e impassíveis diante desses diálogos que ocorriam à sua frente.

Advogado: Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de julho.
Advogado: Que ano?
Testemunha: Todo ano.


Advogado: Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado: E de que modo ela afeta sua memória?
Testemunha: Eu esqueço das coisas.
Advogado: Você esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?


Advogado: Que idade tem seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro bem.
Advogado: Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.


Advogado: Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, "Onde estou, Bete?"
Advogado: E por que você se aborreceu?
Testemunha: Porque meu nome é Célia.


Advogado : Me diga, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?

Advogado: Seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado: Que idade ele tem?


Advogado: Sobre esta foto sua... o senhor estava presente quando ela foi tirada?


Advogado: Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado: Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado: Quantos meninos?
Testemunhas: Nenhum
Advogado: E quantas eram meninas?


Advogado: Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado: E por morte de que cônjuge ele acabou?


Advogado: Poderia descrever o suspeito?
Testemunha : Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado: E era um homem ou uma mulher?


Advogado: Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?
Testemunhas: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas.


Advogado: Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, ok?
Que escola você freqüenta?
Testemunha: Oral.


Advogado: Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vítima?Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado: E o Sr. Décio já estava morto à essa hora?
Testemunha: Não, ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele...

Advogado: O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?

Advogado: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado: Então, é possível que a vítima tivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado: Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar por aí!

Que maldade hein... nem todo estudante de Direito é ignorante! Mas que é engraçado, é!

Meu beijo,
Carolllllll

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Não, a fila não anda!

Eu sou muito arrogante. Não é sério, juro. Não tenho a menor paciência com pessoas lerdas ou "demoradas". Talvez porque eu seja apressada demais. Tá, tudo bem, talvez eu não seja tão arrogante assim, já que eu gosto de pessoas velinhas. É mesmo, não sou tão arrogante. Não sou porque às vezes engulo minha arrogância pra não arrumar confusão. Alguém arrogante, jamais engoliria seu ego pra não sair brigando por aí. Mas às vezes meu "eu" do mal, meu Kini (só entenderão se entrarem no link no final do post e lerem as tiras), fala mais alto. Eu simplesmente não consigo ficar calada e vou avançando por cima das pessoas. Avançando num bom sentido. Claro que eu não fico que nem um bicho atacando as pessoas, mas confesso que chego a espumar de raiva. Talvez por isso tenha escolhido cursar Direito. Advogada tem que ter essa veia meio "quero fazer justiça" mesmo. Ops, tenho que me contradizer, não vou ser advogada. Quer dizer, talvez eu seja. Mas se for, vai ser paralelamente à minha outra profissão.

Acho ser advogada uma profissão muito suja. Sei lá, vou ganhar dinheiro mentindo pras pessoas, abusando da boa fé delas... Porque veja bem, se a vovó da minha melhor amiga, quer receber a pensão do marido, me apresenta o caso, eu vejo que não tem solução, você acha que eu vou falar que não tem solução? Se eu falar, eu não ganho dinheiro pra me sustentar, mas, ao mesmo tempo, se eu falo que sim sabendo que não há condições dela ganhar a causa, tô sendo falsa, injusta e nojenta. Sabe, não sei...

Hoje me estressei bonito. Primeiro, já estava estressada encubadamente. Se você pegar o trem, ficar 40 minutos em pé, pingando de suor num calor de 30 e muitos graus, com um bando de homens cheirando a cecê e bem pixulentos mexendo com você já é motivo de estresse considerável. Pra completar, me atrasei num compromisso importante por causa do lezado do motorista do ônibus. O esperto levou 1:20 minutos pra fazer um trajeto que poderia ter sido feito em 40 minutos tranquilamente. Mas me controlei na mairo classe.

Pra coroar a obra, por falta de tempo, não consegui fazer o que mais queria hoje. É fogo...
Mas não tem problema, amanhã é outro dia. E tudo o que não fiz hoje, remanejo pra amanhã.

Enfim fui renovar minha identidade. Tudo corria muito bem até que, a mulher disse que eu teria que ir no banco Itaú pagar o Duda pra renovar. Detalhe: Desembolsei R$42,00 pra renovar a bendita "Identificação Civil". Mas isso não é tudo. Quando cheguei no banco demorei uns 15 minutos até descobrir qual era o procedimento. Quando descobri, me dirigi à segunda fila (a primeira foi pra entrar no banco, um absrudo não?), e esperi um bom tempo até chegar a minha vez de usar o caixa eletrônico. Minha mãe entrou numa de fingir que ia ali e passar na frnete das pessoas. Fiquei lilás, e quando ela voltou pergunntei se ela queria ser linchada.

Depois que peguei o recibo no caixa eletrônico, me dirigi ao centro do banco e vi um rosto conhecido. E ele veio até mim:

- Eu não conheço você?
- Não sei. Acha que conhece?
- Acho sim.
- É, eu também acho. Você faz faculdade lá na São José?
- Faço sim, você faz?
- Faço também.
- Então é de lá, claro!

E muitos risos.

Meu mais novo "amigo" trabalhava no banco, e foi o responsável pelo bom tratamento que recebi dali em diante. Lógico, que numa situação normal eu não teria sido tão simpática, no mínimo eu acharia que ele estava me cantando, mas, como eu estava em "desvantagem", resolvi ser legal. E o bom foi que fui bem tratada e ele não me cantou, respeitou legal. À noite nos encontramos na faculdade, realmente ele era de lá.

O bom trato dele de nada adiantou, porque eu peguei o boleto, mas na hora de pagar... que decepção. Era no segundo andar, e a fila dava umas seis voltas. Na boa, tinha pra lá de 80 pessoas na fila. Obviamente desisti, já que não daria tempo de esperar.

Fiquei pensando comigo mesma... Como no Japão as empresas e bancos tem o dom sobrenatural de não fazer filas? Cheguei a conclusão de que isso é mal de brasileiro. Não podem ver um bando de gente sem fazer nada esperando algo que já vão formando uma fila. E o pior, uma fila que não anda.
Hoje foi um dia no mínimo estressante. No máximo nem sei o que foi. Foi sugado legal. Tive que resolver milhões de coisas e entretenimento e prazer zero. Pelo menos resolvi o que tinha de ser resolvido e não preciso mais me preocupar com coisas relevantes.

Essa semana aconteceu algo estranho. Recebi um email de alguém chamada Vivi, que disse ser leitora do blog e me fez uma série de perguntas pessoais! Bem, não tô muito acostumada com essas coisas, mas aqui vão as respostas Vivi:

1- Você prefere cachorro ou gato? Cachorro sem dúvida. Odeio gatos.
2- Massagem nos pés ou nas costas? Nas costas.
3- Tem algum desejo que nunca realizou e gostaria de realizar, mas sabe que não é possível? Sim, ter sardas.
4- Se pudesse pegar uma coisa do corpo de cada amigo seu e se "montar", o que pegaria e de quem? Pegaria os cabelo da Nathália, os pés da Tia Márcia, os olhos do Attie, as sombrancelhas da Rapha, as unhas da Rosana, e o sorriso da Caren. Apesar de me amar do jeito que sou ficaria assim.
5- O que você gostaria de fazer nesse minuto? Nossa, tantas coisas...

Bem, não sei porque você perguntou isso, mas estão ai as respostas. Gostaria de agradecer de coração ao elogios que fez ao blog, e prometo que irei me esforçar pra postar mais assiduamente! E perdão pela exclusão de algumas postagens, mas foi necessário.

Ah! Tenho boas noticias, mas só virão "ao ar" (q chic hein?), semana que vem. Aproveito este parágrafo alto astral para dizer que estou além de estressada, muito feliz. Tenho vivido coisas gostosíssimas e agradeço a uma série de pessoas que não convém citar porque posso esquecer alguém e ficaria feio.

Agradeço em especial a uma dessas pessoas pelo apoio, carinho, respeito e atenção. Rê, você é sempre demais. Você sabe que esse parágrafo é destinado à você. E não podia estar direcionado À outra pessoa. Você é o melhor!

Vou ficando por aqui porque tô toda jogadinha hoje.

Meu beijo,
Carolllll


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Experiência...

Cheguei meia hora antes do horário previsto, porque sempre tenho esse costume mesmo em entrevistas.
Ao adentrar à recepção percebi um grupo de mais ou menos 15 pessoas já no local. Algumas estavam em pé conversando umas com as outras. Outras mais afastadas. Um homem sozinho, andava nervosamente de um lado pro outro e tinha pavor estampado no rosto. Uma menina, em pé ao lado do sofá, puxava assunto com as outras. Dei minha identidade, peguei o crachá onde lia-se "Visitante" e sentei no pequeno sofá.
Saquei da bolsa o livro que tinha vindo lendo no trem, e agora faltava pocuo para terminar. Comecei a lê-lo mas constatemente me desconcemntrava por causa da conversa da menina tagarela que estava em pé ao lado do sofá. Resolvi não lutar com a menina tagarela, e desisti de ler. Comecei a observar o comportamento das pessoas antes uma entrevista. Um homerm estava tão tranquilo, tão à vontade que mais parecia estar na praia. O outro, o nervosinho, parecia estar prestes à ser internado numa casa de repouso. A tagrela, mostrava certo nervosismo também em meio à sua tagarelice, mas um nervosismo num estágio normal. Eu também estava nervosa, mas pensei "Não tenho anda a perder". Na verdade tinha, era uma vaga ótima, a qual eu sonhava para ser meu primeiro emprego. Um emprego o qual milhões de garotas dariam a vida para ter. E o melhor, eu teria oportunidade de crescer, e conhecer muitas pessoas.

A entrevista estava marcada pra começar 10h da manhã, mas somente às 10:20h uma gorda senhora chamou todos que estavam na recepção à uma sala, a qual podiamos ler na porta "Sala de reunião".
Todos nos acomodamos, cada um em suas cadeiras e ela começou a apresentar-se. Era a Analista de RH. E tinha duias estagiárias. Uma das estagiárias era linda, a outra feia. A gorda que falava não era feia, mas também não tão linda quanto a estagiária. Era só bonita mesmo.
Logo em seguida entrarm na sala o Gerente Comercial, o Gerente Administrativo, o ex-Gerente comercial que havia sido promovido, e um outro carinha lá que não sei o que era mas devia ser gerente de alguma coisa também.

Enquanto eles falavam sobre a empresa, o cargo, o perfil do canditato à vaga e algumas coisas mais, eu viajava em tudo o que via ali. Comecei a perceber que o mundo aí fora te devora. Percebi também que só na época da idade da pedra que venciam os amis fortes. Hoje, vencem os capacitados e astutos.

Fiquei sinceramente pensando o que todas aquelas pessoas faziam ali. Qual era nossa motivação ao querer aquela vaga. Comecei a achar que o mais próximo da perfeição que o ser humano chega é numa entrevista de emprego. As pessoas vestem uma fantasia de super profissional e todas passam a ser um ser absoluitamente correto. Se perguntam na entrevista qual é o seu defeito elas dirão perfeccionismo, ou algo bem próximo a isso.

Minha vonatde era levantar e gritar que eu sou determinada, mas que as vezes sou preguiçosa sim, com licença. Mas que sou responsável e quando me mandam fazera lgo vou até o fim, mas que isso não quer dizer que eu não tenha defeitos. Tenho sim. Muitos até, Mas tento corrígi-los quando possível. Queria gritar que eu deveria ser contratada porque eu era um ser humano normal, diferente daquelas pessoas que estavam engessadas às cadeiras ao meu lado. Às vezes eu me perguntava se eles estavam tendo os mesmo pensamentos que eu, ou não, se estavam mesmo fingindo se interessar pela meia dúzia de baboseiras que o novo Gerente comercial (que aparentemente acabara de ser promovido e não sabia bulúfas do cargo), nos falava.

Foi quando a gorda do RH tocou no assunto experiência. Disse que não era necessário experiência e sim disponibilidade para aprender. Isso gostei. Acho chato essa sempresas que cobram experiência. É pura preguiça da empresa de treinar seus funcionários. tirando que a pessoa vem cheia de vício de mercado e até se adaptar à nova empresa leva um tempo.
Mas o que a gorda bonita disse depois, provou o contrário à frase que eu tinha gostado. Ela perguntou qual era a nossa experiência, dando-nos um papel em branco para ser desenvolvida uma redação. O tema? Experiência.
Minha cabeça já estava nas nuvens, e não hesitei em começar o texto. "Escrever é comigo mesma", pensei baixinho.

"Fiz cosquinha na minha irmã quando ela estava em meio à uma crise de sua doença só para ela poder rir. Certa vez tomei banho de chuva, e de madrugada senti dor nos pulmões. Acordei chorando e minha mãe deitando do meu lado, fez carinho em minha cabeça me acalmando até eu dormir. Já fui traída muitas vezes. Já perdoei algumas delas. Já fui perdoada também. Já desperdicei um talento, e descobri outros.
Já esquecei de dar feliz aniversário à alguém que eu amava muito, mas me desculpei e dei um "atrasado". Já ganhei um presente no meu aniversário que eu queria muito. Já ganhei coisas que nãogostei, mas recebi com um belo sosrriso no rosto. Nunca ganhei uma festa surpresa. Tenho muito medo de morrer e não ganhar uma nunca. Também não tenho filhos. Tenho medo de não tê-los. Quero quatro na verdade.
Talvez você não me contrate porque eu quero ter quatro filhos, e esse não é um bom perfil para uma executiva de sucesso. Ou talvez você me contrate porque alguém que quer ter quatro filhos precisa começar a ganhar dinheiro cedo e fazer uma poupança. Seja do jeito que for, acho que é muito mais interessante ter quatro filhos que me amem, do que ser uma executiva de sucesso.

Sabe uma vez eu quebrei o braço, às 22h da noite, pulando a piscina da minha casa. Minha mãe, trabalhava costurando, e foi exatamente no momento que ela estava saindo da máquina. Ela ficou amarela quando viu que meu braço tinha virado um "S". Quando chegou no hospital e os médicos colocavam meu braço no lugar, ela desmaiou. Sabem, eu amo minha mãe. Talvez isso não importe pra vocês, mas importa muito pra mim.

Quando era pequena eu bebia muita água da bica, porque eu tinha preguiça de subir pra beber a da geladeira na casa do meu avô. É tem mais isso, eu sou preguiiçosa às vezes. Mas além de preguiçosa, sou responsável. E acho que foi meu lado responsável que me trouxe aqui hoje. Acho que é meu lado responsável, que me faz procurar emprego todos os dias. Acho que meu lado responsável é o "responsável" pela minha incessante bsuca de ser alguém melhor. Alguém melhor não só profissionalemnte, mas alguém melhor com as pessoas.

Quase todos os dias eu faço compras pra minha tia. Ela tem 80 anos. O mercadinho é bem do lado da casa dela, mas ela não pode ir lá, ou não gosta, não sei... nunca perguntei. Às vezes eu estou atrasada para algum compromisso ou pra faculdade, e ela me pede para ir lá. Eu me atraso, mas raramente nego. E quando nego me sinto mal. Minha recompensa é ver a cara de felicidade que ela faz quando eu chego com as "compras", e uns trocadinhos que ela me dá que só dão pra comprar bala e nada mais. Na maioria das vezes as sacolas só contém açúcar, papel higiênico, café, biscoistos. Mas ela recebe como se fossem presentes de Natal. Ela andou reclamando que eu tenho ido em entrevistas de emprego e que logo logo quando eu trabalhar ela vai perder a secretária. É o preço que pagamos por viver num mundo capitalista.
Estou escrevendo um livro da vida dela. Não sei se vai ser publicado um dia. Não sei nem mesmo se alguém um dia vai chegar a lê-lo, Não sei nem mesmo se minha tia vai morrer antes que eu termine. O que eu sei, é que tenho que sonhar. E acreditar que o extraordinário é possível.

Uma vez eu fui assaltada por um anão. Outra vez eu deixei meu celular cair na poça d'água. Eu já tive uma redação minha incluida em um livro. Eu já me apaixonei por pessoas que nunca conheci.
uma vez eu fiz uma pinta de lápis no rosto pra sair porque eu achava chic. Já briguei com minha família e já planejei fugir de casa. Já admirei pessoas incríveis que morreram.

Uma vez fui ao cemitério pro enterro de uma amiga da minha mãe e chorei vendo as fotos dos mortos em suas lápides. E imaginando as lápides das pessoas que amo. Nesse dia pensei muito no meu avô, e assim que voltei do enterro o abracei, disse que o amava, e passei a tarde toda com ele. Ele ficou meio desconfiado, eu diria até meio constrangido, não somos muito acostumados a dizer que nos amamos, mas não importa, mesmo assim eu disse.

E já acordei de madrugada pra orar antes de ir pra escola. Eu já tive crise de sonambulismo. Ah! eu tenho terror noturno. Não posso dormir no completo escuro. Mas isso tem melhorado.

Já vivi tanta coisa. Mesmo com esses poucos dezoito anos. Talvez seja por isso que vocês podem, porventura achar que eu tenho pouca experiência, porque eu só tenho dezoito anos.
Talvez vocês estejam achando que eu sou uma idiota que fez uma redação sem sentido e acabou de arruinar qualquer possibilidade de ficar com a vaga. Talvez eu tenha arruinado mesmo. Mas pelo menos, mostrei à vocês que em entrevistas de emprego ainda existem seres humanos normais. Com qualidades sim, mas com defeitos também. Certa vez li que "[..] até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, ninguém sabe qual defeito sustenta nosso edifício inteiro".

Eu já vivi tudo isso, e mesmo assim, vocês ainda podem me julgar sem experiência, ou sem capacidade para ocupar a vaga. E ai eu me pergunto: Experiência, experiência... o que é experiência se a todo tempo tudo se renova?

Carolina Guimarães"

- Terminei.
- É só colocar a folha aqui e sair por aquela porta à direita.

Obedeci, apertei a mão de um dos gerentes (não me pergunte gerente de que), o que parecia ser mais simpático, e sai pela tal porta. Dentro do elevador tinha 4 homens, todos de terno. Fiquei pensando o quanto eu sou livre.
Ganhei o mundo da rua e comecei a pensar na vida. É engraçado como acontecem as coisas. Um dia você acorda e não sabe o que vai acontecer, e nesse dia coisas te surpreendem. As melhoras coisas da minha vida aconteceram de repente. Prefiro agora deixar que as coisas aconteçam simplesmente. Acho que o gerente geral da Petrobrás jamais imaginou que um dia ele ocuparia tal cargo. Me senti mais livre quando saí daquela empresa comedora de pessoas todos os dias de manhã, e que vomita essas pessoas bem cansadas no final do dia. Talvez eu vá ser uma dessas pessoas que vai ser comida. Talvez não. Deixo a vida me responder.

Carolina Guimarães.

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