Honra e orgulho

Hoje eu voltei a falar com Deus. Nós tinhamos brigado a nove meses atrás. Tivemos uma pequena reconciliação em setembro do ano passado, mas que não durou nem um mês. Mas isso tudo acabou hoje. Percebi o quanto fui cruel e idiota. Cruel com ele, e idiota comigo mesma. Mas isso é um assunto que não pretendo explorar. Pelo menos não nesse post.

Hoje terminei de ler "O caçador de pipas". Como chorei. Tenho pena do Afeganistão. Tenho mais pena das crianças do Afeganistão. Vim pra internet pesquisar mais sobre aquele país e fiquei chocada. O Afeganistão tem muitas crianças, e pouca infância. Muitas teorias, pouca prática. Muita religião, pouca fé. É humilhante o que as pessoas fizeram com um país que tinha um futuro promissor pela frente. Aquilo virou terra de ninguém... sem lei, sem regras. O povo Afegão virou refém em seu próprio país. Destruiram seu watan, sua terra. Deve ser triste dormir em uma mansão, com a cabeça sobre um traveseiro de pensa de ganso e o quarto cheirando a colônia, e acordar como mendigo, lutando para sobreviver.

Enquanto tomava banho após ler o livro comecei a pensar em religião. Esse é o maior mal. Nunca fui xiita nem sunita, e sempre achei um tanto estranho esse lance deles ficarem se batendo para purificar os pecados. Mas acho muito bonito as orações que eles fazem três vezes ao dia, o fato de jejuarem durante o Ramadã, a fé que alguns deles ainda cultivam mesmo em meio a toda essa falta de esperança. Convivo no meio evangélico a mais de 10 anos, e mesmo nesse meio acho que a religião (ou a religiosidade) é o maior problema de todos.
São pessoas que vão à igreja todos os domingos, carregam a bíblia debaixo do braço, mas sequer conhecem a Deus. Por isso, eu preferindo não me enganar e não enganar ninguém, prefiro brigar com ele.

Hoje sentei e sem motivo nenhum aparente comecei a chorar. Senti uma coisa estranha mas muito boa ao mesmo tempo. Pode parecer loucura, mas parecia que Deus estava dentro do banheiro do meu quarto. Chorei muito pensando em algumas coisas da minha vida, coisas do meu passado. Mas chorei sem culpa.

As pessoas que vâo a igreja, a maioria delas, não sabem quem é Deus. Servem a um Deus que não sabem quem é. Elas inventam, fazem fofoca, são cruéis. Usam as coisas da bíblia contra os próprios "irmãos". Lá do outro lado do Atlântico, no Afeganistão a religião também atrapalha. Só que lá, ao invés das fofocas e picuinhas, eles matam.

Acho que deveria existir mais fé que religião. Por isso que digo às pessoas que não tenho religião. É simples, eu procuro seguir o que tem na bíblia, acredito que Jesus seja Deus, e que ele morreu pelos nossos pecados. Se quiserem chamar isso de Cristianismo chamem. Se quiserem chamar de Catolicismo chamem, ou até espiritismo. O que as pessoas precisam entender é que Deus importa muito mais que colocar uma saia até o pé e não poder cortar o cabelo. Muito mais que não poder sair sem véu na rua.

Tem famílias inteiras no Afeganistão que estão morrendo por causa da religião. Por causa da realidade que "ninguém pode mudar" de que uns são xiitas e outros sunitas e que não podem conviver juntos. Com isso, a infância é roubada, a velhice chega rápido, e a morte mais cedo. Pessoas são apedrejadas nas ruas. Outros, enforcados e ficam dias lá no poste pra quem quiser ver, com a cabeça roxa e a corda no pescoço.

Mas tem uma coisa que lendo o livro descobri. Uma coisa que a Globo não mostra. Que nenhum canal à cabo mostra. Que a internet não mostra.
A infância lá, é igual aqui. Os meninos afegãos, são tão meninos como os meninos brasileiros. Eles gostam de soltar pipa, de jogar bola de gude, e até futebol eles jogam. Diferente do que o jornal mostra, não é verdade que todos eles ja nascem com o fuzil na mão indo pra "guerra santa". Aquela terra bebeu o sangue de muitas crianças que clamavam por infância. Que cresecram cedo demais. Que não tiveram chance de serem meninos e tiveram que nascer homens.

O mundo está doente. E as pessoas estão por ai se preocupando com moda. Com o que a Glória Khalil disse no Fantastico. Qual vai ser a nova tendência da Maria Bonita no Fashion Rio, quem vai ser a nova cara da SP Fashion Week. E enquanto isso, crianças de 6 anos (ou menos), são abusadas sexualmente na Índia. Uma vez ouvi uma história contada pela Ana Paula Valadão em seu DVD, que ela dizia que eles tinham uma ONG que ajudava crianças na Índia. E certa vez eles trouxeram para o Brasil uma menina de 5 anos, que foi vendida pela sua família para a prostituição em troca de comida. Ela foi tão abusada que o ânus e a vagina dela se tornaram uma coisa só. Apenas cinco aninhos. E uma cabeça doente teve coragem de fazer mal à ela.

Concordo que o pior pecado que pode existir é roubar. Roubar de uma criança o seu direito à infância. Roubar de uma criança seu pai, da mulher o marido. Roubar o direito de ser feliz. Mas que diferença faz roubar qualquer direito que seja em uma terra a qual ninguém tem direito a nada?

As pessoas perderam sua nang e namoos. Perderam sua honra e seu orgulho. E ao invés de um monte de homens barbudos e mulheres cheias de véus idiotas, era isso que deveria ter ficado.

Nang e Namoos. Honra e Orgulho.

Salaam,
Carolina jan.

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