Meu primeiro amor

Quando eu tinha 7 anos um dia cheguei em casa e peguei minha mãe vendo um filme com uma amiga. Já estava no finalzinho e minha mãe me olhou e disse: - Ih Carol, você vai adorar esse filme!
Na mesma hora eu rebobinei a fita e vi o filme. Quando terminou eu estava hipnotizada. Aquele filme era eu. Era tudo o que eu queria ser. Era tudo o que eu queria pra mim. Rebobinei a fita e vi de novo. E depois de novo, e depois de novo, e de nvo, e de novo, até acabar o tempo porque minha mãe tinha que entregar a fita à locadora. Eu vireir noites pensando no filme... Eu descobri o quanto eu era romântica com 7 anos. E descobri por causa daquele filme. Eu passei a atentar minha mãe e ela alugava pra mim o filme todo fim de semana. E era sempre o mesmo processo: Eu via, rebobinava a fita, via de novo, rebobinava de novo... e passava o fim de semana assim.
Chorei desesperadamente no dia em que a locadora do Seu Jorge fechou. Passei anos sem ver o filme. Todo mundo sabia da minha paixão platônica pelo filme. Várias pessoas me diziam que o fiolme passava direto na sessão da tarde, mas como eu estudava à tarde achava sempre que as pessoas faziam aquilo de maldade porque eu não ia poder ver mesmo. E ai eu imaginava que eles passa vam a tarde inteira se deliciando com o "meu filme" enquanto eu estava na escola e não podia vê-lo.

Quando eu tinha 12 anos minha mãe chegou em casa e disse que tinha uma coisa pra mim. Eu jamais imaginaria o que era. Ela jogou então um saquinho preto em cima do sofá e disse: - Você não pode ficar muito tempo com isso porque é da Renatinha tá?.
Quando abrio o saco entrei em êxtase. Era a fita. Repeti o mesmo processo que fazia constantemente 5 anos antes. via, rebobinava, via, rebobinava, via, rebobinava.... Já via com medo de que o tempo passasse e asinando pela próxima vez que eu irira ver, porque tão logo eu teria que entregá-lo à dona. Acho que eu vi tantas vezes porque já pressentia que eu ficaria mais longos 5 anos sem vê-lo. Eu era doente por aquele filme. Quer dizer, eu era não...

Eu passei a minha adolescência sonhando com aquela história. Ela era tão viva dentro de mim, do mesmo jeito de quando entrei naquela sala com 7 anos. As músicas do filme embalaram meus sonhos. Me lembro perfeitamente de todas as noites que eu desiludida com algupem deitei na cama, abracei bem forte meu travesseiro, chorei que nem cirança e fiquei lembrando do filme. Pensando em como eu queria ser ela. Sonhando em estar sentada no canto daquela mesma com meus pais e minha irmã e de repente Johnny chegar e dizer PRA MIM: "Baby não fica num canto...". Quantas milhões de vezes imitei aqueles passos. Sei todas as falas do filme. Todas. Até dos figurantes. Sei todos os erros de gravação. Sei o nome de todos os pincipaios atores. Sei como os portagonistas vivem hoje. é engraçado que eu já sei tudo o que vai acontecer e mesmo assim me emociono todaz vez que vejo.
No meu aniversário de 17 anos meu avô me deu um embrulho. Estranhei porque em toda data festiva meu avô só costuma dar perfumes, ou dinheiro. Rasguei o papel de presente e fiquei estática quando vi a capa do dvd que dizia "Dirty Dancing - Ritmo Quente". Finalmente eu tinha o meu! Um dvd do meu filme preferido pra chamar de meu! Só meu! Sem precisar dividir com ninguém, sem precisar ver rápido pra devolver pro dono, sem precisar ficar anos sem ver... Quando eu tivesse vontade era só colocar e simplesmente ver. Saí da festa, fui no banheiro, abaixei atrás da porta e chorei agarrando o dvd contar o peito. Nem eu entendi minha atitude. Acho que eu esperei aquele presente por 10 anos. Agora que me senti mais dona daquele filme do que qualquer pessoa, do que qualquer fã. Até porque eu penso que sou muito mais que fã. Eu sou é uma louca, perseguidora do filme.

Foi com esse filme que eu descobri o que é o amor entre um homem e uma mulher. Foi quando eu descobri que o amor ultrapassa as barreiras financeiras, as barreiras do preconceito social, as barreiras do moralismo. Foi nesse filme que eu aprendi que eu podia ser quando crescesse o tipo de pessoa que eu queria ser. Foi vendo aquilo que eu vi que aquele filme era eu. Meu sangue todo ferve quando vejo esse filme. Tudo o que eu queria era ter a oportunidade de falar com os protagonistas um dia. Dizer pra eles que aquele filme que eles fizeram em 1987 mexeu com a vida de uma garotinha bobinha e sonhadora que morava no Brasil. Infelizmente essa semana eu soube que o Patrick Swayze está com câncer no pâncreas, e tinha pouco tempo de vida. Fiquei trsite como se fosse alguém da minha família. É muito estranho porque nunca tive tanta afinidade assim com nenhuma outra coisa. Acho que jamais terei aquela oportunidade, de dizer-lhes o quanto amo o filme. E se todas as pessoas detestassem já teria valido à pena, só por eu ter visto.

Às vezes pego o dvd e fico alisando a capa com um sorriso no rosto. Como se eu realemente tivesse vivido aquilo tudo. Às vezes a impressão que eu tenho é de que eu vivi sim. E quando quero reviver, me jogo no sofá e assisto até cansar (o que nunca acontece). A minha lista de filmes já assistidos já passa de 580, masnão tem jeito, esse aí tá sempre no topo. Esse filme não me larga gente, rs. E nem eu quero me largue mesmo. Na minha opinião é o amor mais bonito que eu já vi no cinema. Ninguém me convence do contrário. Pode parecer exagero mas eu pedi a Deus pela vida dele. Não queria que ele morresse. Não agora. Ele não está tão velho assim. E minha simpatia por eles, e por ela, é muito grande. Gosto do filme de graça. E depois de grande acabei aprendendo que na vida... todo mundo dança!



Muita dança e muito amor...
Carolina.

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Rapidinho!


Hello meu povo! Esses dias foram bons, bons, bons! Curti, ri demais, me diverti bastante, dancei muito! Teve viagem, teve jantarzinho que eu mesma preparei ontem (delícia!), teve pizzaria domingo à noite... E teve diversão pra caramba. Obrigada, obrigada, obrigada...
Quero agradecer as pessoas que direta ou indiretamente fazem parte da minha vida, e contribuem para a minha felicidade. Quero revelar minha pena àqueles que com intentos capengas procuram a minha infelicidade, infelizmente são pessoas frustradas... Porque eu sô muito feliz mesmo!
O que eu mais admiro nas pessoas é o jeito que essas próprias pessoas tratam as outras pessoas. Aqueles que tentam passar por cima SEMPRE caem do cavalo. Sem nenhumn esforço. Portanto vamos todos ser gente do bem galera!
Tenho sentido um medo tão alegre que nem parece medo! Medo de um futuro assustador e gostoso que está por vir... E que eu desejo muito! Quem me conhece sabe do que eu falo.
Rapidinhas: Saudade do meu Sapo, de teclar com a Danni, de trocar uma idéia com a Natasha, de encontrar a galera que foi "minha galera" na Saens Pena, de ficar jogadinha um dia sem fazer nada, de ver minha família de SP.
Já tô legal: Do trânsito do RJ, da minha prancha que tá quebrada, de homens que não valem nada e estão fazendo pessoas que amo muito sofrerem (e que nem podem ser chamados de homem na verdade), dos meses que teimam em não passar e não chega logo dia 17 de janeiro, de não conseguir conciliar facul e trabalho =[
Estou prendendo esse instante entre os dedos com medo de que ele nunca mais seja meu!
Asta la vista!
Carollll

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A gente sai da favela, mas a favela não sai da gente...

O centro da cidade é um barato. Trabalho na Av. Rio Branco, e na hora do meu almoço inevitavelmente acabo parando sempre na Uruguaina. A gente vê todo tipo de gente ali. Ontem tinha uma cara com um boneco, aparentemente feito de papel, e tudo o que ele mandava fazer o boneco fazia, sendo que, ninguém segurava o boneco. Eu e mais um bando de bobos ficamos olhando e tentando decifrar o tal enigma do boneco de papel, mas depois eu percebi que era em vão, porque é assim que o carinha ganha dinheiro, fazendo o truque. Mas juro que eu dava um dente da frente pra descobrir como ele fazia aquilo. Teve uma hora que ele falou assim: Vai, faz dez flexões ai! Ai o boneco começou a fazer e o povo começou a contar junto: 1! 2! 3! 4! Eu morri de rir nessa hora! O bonequinho subia e descia fazendo a tal flexão, rs.

Engraçado... Tanto lugar pra eu ir no centro e eu só consigo ir na Uruguaiana. Tem algo que me chama a atenção naquele lugar. Acho que é a quantidade de gente sabe, parece que tem uma vida diferente ali! Aquelas pernas apressadas passando por aquele lugar o dia inteiro, aquelas bocas gritando e anunciando produtos à preço de banana... gosto de lá. Tanto lugar menos "favelado" pra eu ir e eu só fico na uruguaiana! rs. Esse é o motivo do título da postagem. Mas quero deixar claro que o lugar que eu moro não é favela não hein?! rs. É super civilizadinho, bonitinho, e tem senhoras sentadas na calçada vendo seus filhos brincarem ao cair da tarde... adoro morar aqui!

Mudando de assunto... Minha cidade maravilhosa fez aniversário e eu não podia deixar de comentar aqui no blog né?! Quero parabenizar à essa cidade linda que me abriga há 18 anos! Lógico, que tem sua parte podre, mas todo lugar é assim, porém, as suas belezas conseguem superar tudo de ruim que há aqui!

O Rio de Janeiro
Continua lindo
O Rio de Janeiro
Continua sendo
O Rio de Janeiro
Fevereiro e março...
Alô, alô, Realengo
Aquele Abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele abraço!

Chacrinha continua
Balançando a pança
E buzinando a moça
E comandando a massa
E continua dando
As ordens no terreiro...
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha
Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho palhaço
Alô, alô, Terezinha
Aquele Abraço!...

Alô moça da favela
Aquele Abraço!
Todo mundo da Portela
Aquele Abraço!
Todo mês de fevereiro
Aquele passo!
Alô Banda de Ipanema
Aquele Abraço!
Meu caminho pelo mundo
Eu mesmo traço
A Bahia já me deu
Régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu
Aquele Abraço!
Prá você que meu esqueceu
Ruuummm!
Aquele Abraço!
Alô Rio de Janeiro
Aquele Abraço!
Todo o povo brasileiro
Aquele Abraço!...
Todo mês de fevereiro
Aquele Abraço!
Alô moça da favela
Aquele Abraço!
Todo mundo da Portela
E do Salgueiro e da Mangueira
E todo Rio de Janeiro
E todo mês de fevereiro
E todo povo brasileiro
Ah! Aquele Abraço!...

Agora me diz ai, qual é a musica que leva o nome do teu bairro? Fala sério, o meu bairro tem na música que foi praticamente tema da ditadura militar... Rio de Janeiro e Realengo, sou feliz assim gente!

E pra todo mundo que passar por aqui...
Aquele abraço!

Carollll.

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Vende-se um coração.


Vende-se um coração
Vende-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças na sua usuária.
Vende-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente e que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha
sinceramente que Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista... Um verdadeiro sonhador.

Vende-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar, e investir na paixão.
Um furioso suicida que vive procurando emoções verdadeiras.
Vende-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas dos outros e paixão.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Quase sempre impulsivo.

Vende-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente econtra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.

Vende-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louca a sua usuária.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá a sua usuária dizer para Deus
na hora da prestação de contas: "O Senhor pode conferir.
Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"

Vende-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão que seja mais fiel à sua usuária.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Vende-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras
que se recusa a cultivar ares selvagens ou racionais,
e não quer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
sua usuária a publicar seus segredos e desejos profundos.
Vende-se um coração que é emotivo demais, sensivel demais, pobre demais.
Mas que é sublime, em sua pobreza.
E acho sinceramente que, quanto mais pobre, mais bonito fica.

Amor sempre,
Carolina Guimarães.

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